Observar também é acolher
Observar, sentir as emoções
Segundo Hayes, Ciarrochi e Bailey (2023), observar significa estar presente para aquilo que acontece dentro e fora de nós.
É perceber as experiências por meio dos cinco sentidos, das emoções e das sensações corporais. O corpo funciona como um sistema sensível, capaz de identificar rapidamente possíveis ameaças e oportunidades. Ele também registra diferentes experiências ao longo da vida: pode sentir a alegria de um abraço, assim como o impacto e o estresse diante de uma notícia difícil.
Quando tentamos controlar ou eliminar sentimentos desagradáveis a qualquer custo, podemos acabar aumentando nosso sofrimento. Na tentativa de não sentir medo, insegurança, tristeza ou ansiedade, podemos recorrer à esquiva ou a comportamentos que, embora tragam alívio momentâneo, podem gerar consequências negativas posteriormente.
Desenvolver a capacidade de observar o que acontece dentro de nós permite criar um espaço entre aquilo que sentimos e a maneira como escolhemos agir. Isso favorece uma presença maior, ajuda a lidar com as emoções de forma mais consciente e possibilita cuidar melhor do corpo e de nós mesmos. Quando nos permitimos entrar em contato com a vulnerabilidade, em vez de lutar constantemente contra ela, ampliamos nossa capacidade de viver de acordo com aquilo que realmente importa.
Sentir medo ou insegurança não significa fracassar ou ser fraco. Esses sentimentos fazem parte da experiência humana. Quando aprendemos a reconhecê-los e compreendemos que podemos carregá-los sem permitir que eles determinem nossas escolhas, desenvolvemos maior flexibilidade psicológica. Assim, mesmo diante do medo, podemos continuar agindo de maneira coerente com nossos valores e com a vida que desejamos construir. Observar também é acolher
Referência do texto:
HAYES, Louise L.; CIARROCHI, Joseph V.; BAILEY, Ann. O que te torna mais forte: como prosperar diante das mudanças e incertezas usando a Terapia de Aceitação e Compromisso. Pág. 7. Porto Alegre: Artmed, 2023.
Abraços afetuosos,
Andréia Medina

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